Fevereiro 01, 2009

Exsisto

Chegar ao fim! Ao fim de uma viagem, ao fim de um objectivo, ao fim de uma obsessão... Só depois de se chegar ao fim de algo é que percebemos que afinal não queríamos lá chegar. Durante a jornada não se pensa noutra coisa senão completa-la, cumprir o objectivo proposto no seu início, completar o ciclo o mais rapidamente possível, pois só assim ficaremos satisfeitos connosco mesmos, só assim chegaremos ao topo do nosso pequeno mundo e do daqueles que competem contra nós para lá chegar primeiro! Chegamos enfim... Regogisamo-nos fugazmente com o facto de termos chegado onde queríamos, olhamos para trás para o caminho percorrido, para a dura subida que acabamos de fazer e compreendemos que só estávamos bem enquanto subíamos! Subitamente sentimos-nos vazios ao chegar ao topo. Olha-se então no outro sentido, vê-se o caminho que ainda pode ser percorrido e então arranja-se outro objectivo! Mais uma vez só se pensa em terminar. Desta vez é que se sentirá realizado porque este é um objectivo maior e então com redobrada vontade se continua a subir até se chegar de novo ao cume de mais uma etapa apenas para se perceber que este final também não trás qualquer satisfação.. Começa-se então a compreender que a verdadeira satisfação vem da caminhada não da chegada e então continua-se a subir, já não pelo resultado final, mas sim pela aventura do caminho, pelo prazer de delinear novos objectivos e de poder desbravar caminho até eles, pelo prazer de sentir que cada passo é diferente do anterior, tendo desilusões a cada vez que os objectivos se cumprem mas sentindo cada vez mais vontade de continuar, mais e mais... Até não haver mais nada para fazer.. de repente não há mais nada a concretizar... para onde se vai então? Quando já temos tudo o que queremos, o que poderemos querer mais que ainda não tenhamos? olha-se para trás e tem-se uma vida preenchida, cheia, à primeira vista repleta de alegrias e ao mesmo tempo vazia... Abraça-se então a morte como a única fuga possível a uma existência oca e sem sentido num mundo sem mais nada para oferecer! A última viagem! Pensa-se em seguir esse caminho, o único. Desta vez, sem alegria, sem vontade... Desta vez não se consegue vislumbrar o caminho, não se faz ideia de qual será o seu desfexo e isso assusta, instiga a que esse caminho seja evitado a todo o custo! No entanto, ao mesmo tempo que o medo do desconhecido da morte nos impede de continuar, é insuportável permanecer num mundo vazio, sem magia, sem alegria para dar, e então percebe-se que só a loucura resta, entalada num dilema de uma escolha impossível entre um mundo vazio de emoções e aquilo que pode muito bem ser fim da existência.
Creio que a verdadeira felicidade não vem da concretização de todos os nossos sonhos mas sim do frágil equilíbrio entre o que já fizemos e aquilo que ainda queremos vir a fazer!

1 adveho:

Lurdes disse...

Como sabe, descreveu de uma maneira muito precisa a realidade da vida...

Já passei por esses caminhos e sabendo que nada posso levar, optei por ser feliz. Passei a dedicar mais tempo ao meu bem estar, cultivar amizades, mimar-me e fazer quando possível, o que me apetece de acordo com a minha boa consciência. Nem imagina como me sinto bem!

Desculpe!... Como a idade me confere certos previlégios, por vezes, ultrapasso-os .

Gosto muito de o visitar e imaginar quem escreve assim, de uma maneira tão realista...

Sou com carinho.
A
Herminia Lurdes