Chegar ao fim! Ao fim de uma viagem, ao fim de um objectivo, ao fim de uma obsessão... Só depois de se chegar ao fim de algo é que percebemos que afinal não queríamos lá chegar. Durante a jornada não se pensa noutra coisa senão completa-la, cumprir o objectivo proposto no seu início, completar o ciclo o mais rapidamente possível, pois só assim ficaremos satisfeitos connosco mesmos, só assim chegaremos ao topo do nosso pequeno mundo e do daqueles que competem contra nós para lá chegar primeiro! Chegamos enfim... Regogisamo-nos fugazmente com o facto de termos chegado onde queríamos, olhamos para trás para o caminho percorrido, para a dura subida que acabamos de fazer e compreendemos que só estávamos bem enquanto subíamos! Subitamente sentimos-nos vazios ao chegar ao topo. Olha-se então no outro sentido, vê-se o caminho que ainda pode ser percorrido e então arranja-se outro objectivo! Mais uma vez só se pensa em terminar. Desta vez é que se sentirá realizado porque este é um objectivo maior e então com redobrada vontade se continua a subir até se chegar de novo ao cume de mais uma etapa apenas para se perceber que este final também não trás qualquer satisfação.. Começa-se então a compreender que a verdadeira satisfação vem da caminhada não da chegada e então continua-se a subir, já não pelo resultado final, mas sim pela aventura do caminho, pelo prazer de delinear novos objectivos e de poder desbravar caminho até eles, pelo prazer de sentir que cada passo é diferente do anterior, tendo desilusões a cada vez que os objectivos se cumprem mas sentindo cada vez mais vontade de continuar, mais e mais... Até não haver mais nada para fazer.. de repente não há mais nada a concretizar... para onde se vai então? Quando já temos tudo o que queremos, o que poderemos querer mais que ainda não tenhamos? olha-se para trás e tem-se uma vida preenchida, cheia, à primeira vista repleta de alegrias e ao mesmo tempo vazia... Abraça-se então a morte como a única fuga possível a uma existência oca e sem sentido num mundo sem mais nada para oferecer! A última viagem! Pensa-se em seguir esse caminho, o único. Desta vez, sem alegria, sem vontade... Desta vez não se consegue vislumbrar o caminho, não se faz ideia de qual será o seu desfexo e isso assusta, instiga a que esse caminho seja evitado a todo o custo! No entanto, ao mesmo tempo que o medo do desconhecido da morte nos impede de continuar, é insuportável permanecer num mundo vazio, sem magia, sem alegria para dar, e então percebe-se que só a loucura resta, entalada num dilema de uma escolha impossível entre um mundo vazio de emoções e aquilo que pode muito bem ser fim da existência.Creio que a verdadeira felicidade não vem da concretização de todos os nossos sonhos mas sim do frágil equilíbrio entre o que já fizemos e aquilo que ainda queremos vir a fazer!

1 adveho:
Como sabe, descreveu de uma maneira muito precisa a realidade da vida...
Já passei por esses caminhos e sabendo que nada posso levar, optei por ser feliz. Passei a dedicar mais tempo ao meu bem estar, cultivar amizades, mimar-me e fazer quando possível, o que me apetece de acordo com a minha boa consciência. Nem imagina como me sinto bem!
Desculpe!... Como a idade me confere certos previlégios, por vezes, ultrapasso-os .
Gosto muito de o visitar e imaginar quem escreve assim, de uma maneira tão realista...
Sou com carinho.
A
Herminia Lurdes
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